Começou com uma folha de cálculo do Google.
No FIT — o Fashion Institute of Technology, em Nova Iorque — eu desenvolvia malas. Malas a sério, com moldes, materiais, ferragens, forro e todos os cortes pelo meio. Para lhes definir o preço como deve ser, precisava de saber o meu rendimento real: quanta pele acabava mesmo no produto e quanta se perdia. Nenhum software fazia isso. Por isso construí uma calculadora no Google Sheets e pu-la a funcionar.
Essa folha de cálculo tornou-se a ideia.
Mais tarde, durante o meu MBA em Footwear & Apparel Production Management, o problema ficou mais nítido. O setor vive de complexidade — listas de materiais, custos à chegada, FOB, taxas aduaneiras, margens de fornecedores — mas as ferramentas ao alcance de quem produz em pequenas séries são ou aplicações de amador ou sistemas empresariais com contratos de seis dígitos. Pelo meio, não havia nada feito para o atelier real.
Por isso construí-o eu mesmo.
O Maker's Yield & Cost começou como uma simples ferramenta de custos e rendimento. Cresceu para algo muito maior do que eu tinha planeado — não porque quisesse, mas porque cada problema que resolvia revelava o seguinte. Registo de dados primeiro no móvel, para poder anotar o rendimento de um lote no chão da produção. Uma interface web para a ficha técnica e o custeio. Relatórios que dizem a margem real, não a que se esperava.
Isto não é uma ferramenta construída por engenheiros que adivinharam o fluxo de trabalho. Cada ecrã reflete uma decisão tomada no chão de uma produção, numa sala de amostras, ou no fim de uma reunião de compras em que as contas não batiam certo.
Continuamos a construir. Mas os alicerces são os mesmos que nasceram numa sala de aula: a convicção de que quem produz em pequena escala merece o mesmo rigor que os grandes.